Ex-jogador e técnico mantém desejo de ver atacante no clube e diz que "Mito" tem de ficar no Tricolor após parar. "Igual ao Bobby Charlton no Manchester United", compara
O São Paulo é tido como o clube "mais uruguaio do mundo" fora do próprio país sul-americano, nas palavras de Alvaro Pereira, agora no Estudiantes. Parte dessa ligação histórica passa por Pablo Forlán.
Ídolo nos anos 70, o ex-jogador e treinador do Tricolor é um dos símbolos da ligação entre a Celeste e o time do Morumbi, fomentada por nomes como Lugano, Pedro Rocha e Dario Pereyra, entre outros.
No Uruguai, sua "segunda casa", a equipe são-paulina enfrentará o Danubio nesta quarta-feira, às 22h, no estádio Luis Franzini, pela Taça Libertadores. Partida na qual o time precisa ter tranquilidade e atuar sem se pressionar, como em um treinamento, segundo Forlán.
Essa ligação entre São Paulo e Uruguai é resumida nas palavras do ídolo e demonstrada na sua própria casa, na qual tem fotos da época em que defendeu o clube. Localizada no bairro de Carrasco e com vista para o mar, em Montevidéu, a residência do ídolo é repleta de referências ao filho Diego Forlán, atualmente no Cerezo Osaka, com 35 anos.
Depois de receber a reportagem com simplicidade e bom humor peculiares ao povo uruguaio, Forlán reiterou o sonho de ver o filho no Morumbi. Ainda que faça ressalvas sobre a passagem sem brilho dele pelo Internacional por conta das condições do futebol brasileiro.
– Meu desejo sempre foi ver o Diego ou no Peñarol ou no São Paulo. É uma vontade de pai. Ainda não aconteceu. Mas também é necessário ver as adversidades do futebol brasileiro. Eu apoiei a saída dele do Internacional, porque jogava muitas partidas em poucos dias. O Brasil é também o único país do mundo onde o campeonato não para em data Fifa – diz Forlán.
Enquanto não vê o filho no Tricolor, Forlán acompanha o time à distância. Aproveitou a presença do Tricolor em Montevidéu para visitar a delegação e conversar com Rogério Ceni e Milton Cruz. Ele admite conhecer poucos jogadores do atual elenco: Alexandre Pato, Luis Fabiano e, logicamente, Ceni, com quem teve contato no início dos anos 90.
À época, recorda, o agora "Mito" despontava no futebol ao mesmo tempo que ele treinava o time profissional - depois seria substituído pelo ícone Telê Santana. Sua saída do clube, recorda, ocorreu por motivos políticos: ele começou a entrar em rota de colisão com a diretoria após ouvir de um dirigente que um jogador que fora contratado seria melhor do que o ídolo Pedro Rocha – os nomes dos envolvidos na história não foram revelados. Coincidentemente, Muricy Ramalho, que saiu na semana passada por complicações com a saúde, também teve problemas com a direção liderada por Carlos Miguel Aidar.
A carreira de dedicação de Ceni ao São Paulo é motivo de inúmeros elogios para Forlán. Ele, inclusive, dá uma espécie de conselho ao clube, comparando o goleiro a Bobby Charlton, ídolo do Manchester United, da Inglaterra.
– Ele é impressionante. Ganhou tudo pelo São Paulo. O clube tem de cuidar muito bem dele e deixá-lo dentro do São Paulo. Seja qual for o presidente, Rogério Ceni tem de ficar depois que parar. Só para tê-lo ali, nada mais. Assim como quando Diego (Forlán) estava no Manchester, o Bobby Charlton acompanhava a delegação nas viagens. Só a presença dele: pin (faz barulho com a boca) Bobby Charlton. Só a figura. Quem vai falar algo? Ninguém pode dizer nada – diz Forlán.
– Rogério tem de ter um salário só para isso: passar aos jogadores como se comportar, o que fazer e transmitir experiência. A figura dele é fundamental. Tem de seguir projetando goleiros e jogadores de linha. A convivência diária dele com os jogadores seria muito importante – completa o ídolo dos anos 70.
As palavras do uruguaio certamente têm peso para o presidente Carlos Miguel Aidar. No primeiro mandato dele, iniciado em 84, Forlán treinava as categorias de base do clube. Antes, na década de 70, ele conviveu com o pai do atual mandatário: Henri Aidar. O ex-lateral sente orgulho por ter ouvido à época do dirigente que a história do Tricolor se dividia entre antes e depois da sua passagem. Se agora sua opinião ganhar voz na direção do São Paulo, de certa forma estará contribuindo para tornar mais forte a eterna ligação com a Celeste.
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