domingo, 27 de março de 2011

Marco Aurélio Cunha: 'Rogério construiu a maior história de um jogador no São Paulo'

Superintendente de futebol do São Paulo entre 2002 e o início deste ano, Marco Aurélio Cunha conhece Rogério Ceni como poucos. Amigo pessoal do capitão do São Paulo, que chegou à marca dos 100 gols na carreira neste domingo contra o Corinthians, o ex-dirigente do clube do Morumbi não tem dúvidas ao afirmar que o goleiro construiu a “maior história” como jogador entre todos os que passaram pelo clube, apesar de não dizer categoricamente que Ceni é o maior atleta do São Paulo em todos os tempos.

“A gente faz análises sempre pontuais da história. Os jogadores são frutos de suas épocas”, afirmou Cunha em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br. “Considerar (Rogério Ceni) o maior da história do São Paulo, hoje, é verdade. Talvez amanhã não seja. Meu pai falava muito do Canhoteiro (ponta esquerda do São Paulo entre 1954 e 1963), do trio formado por Bauer (volante, 1946-1956), Rui (zagueiro, 1944-1953) e Noronha (lateral esquerdo, 1942-1951), do Roberto Dias (zagueiro e volante, 1961-1973), que é inesquecível... É sempre difícil você falar do melhor da história”, diz.


“Eu acho que, sem dúvida, o Rogério Ceni construiu a maior história de um jogador no São Paulo. Se é o maior, é difícil saber. Mas é a maior história, e com uma assiduidade muito acima da média”, continua o ex-superintendente do clube, que também fez parte do departamento médico da equipe entre 1979 e 1990. “Ele junta tudo: 20 anos de trabalho (desde 1990 no São Paulo), quase mil jogos, 100 gols e o único a levantar três taças de Campeonato Brasileiro seguidas.”

Para Marco Aurélio Cunha, amigo pessoal de Rogério Ceni, goleiro tem história inigualável no clube

Para Marco Aurélio Cunha, amigo pessoal de Rogério Ceni, goleiro tem história inigualável no clube
Crédito da imagem: Vipcomm

Questionado sobre como posicionava Rogério Ceni na comparação com outros grandes goleiros da história do São Paulo, Marco Aurélio Cunha não titubeou: exaltou nomes de jogadores que marcaram outras épocas, mas afirmou que o principal ídolo da torcida são-paulina hoje é o mais completo dono da camisa 1 que já passou pelo clube.

“Eu vi vários goleiros muito bons no São Paulo: Sérgio Valentin (1966-1975) e Waldir Perez (1973-1984), nos anos 1970, e depois Gilmar (1985-1991) e Zetti (1990-1996), mais recentemente... Goleiro dura muito”, diz. “Acho que ele (Ceni) está no mesmo nível desses, mas tem vantagens: a liderança e a qualidade que ele tem com a bola nos pés. Então, está um pouco à frente e é o maior de todos eles.”

ESPN


Depressão nas derrotas e o adeus

Na entrevista ao ESPN.com.br, Marco Aurélio Cunha também falou sobre o estado de desolação que costuma tomar conta de Rogério Ceni após derrotas importantes pelo São Paulo. “Ele fica indignado com as derrotas, e não é por ganância, mas por apego ao clube. Muitas vezes eu tinha que confortá-lo após algumas grandes derrotas”, conta. “Ele fica muito deprimido quando perde. Fica inconsolável.”

O ex-dirigente já vislumbra um grande impacto negativo para o São Paulo quando a carreira de Ceni chegar ao fim. E chega até a alfinetar a diretoria do clube, com quem rompeu por divergências já no final do ano passado, meses antes de anunciar oficialmente seu desligamento do cargo de superintendente de futebol.

“O ídolo tem dois lados: ele absorve todos os problemas e, às vezes, é castigado por todas as frustrações. Acho que, quando o São Paulo perder o Rogério Ceni, vai sentir definitivamente a real importância dele. Com tudo na vida é assim: você só sente falta quando perde”, diz. “Eu via um pouco isso com o Rogério lá no São Paulo. Quando o ídolo fica muito grande, às vezes algumas pessoas não gostam, incomoda um pouco... Quando ele parar, o São Paulo vai perceber o quanto será difícil encontrar alguém para substituí-lo. Vai ser duro para o São Paulo.”


Nenhum comentário:

Postar um comentário